terça-feira, 23 de setembro de 2008

O Recomeço da Temporada

Dia 30 de Setembro estreia no Teatro Nacional de São Carlos a ópera Siegfried de Wagner dando assim início à temporada lírica de 2008/2009.

É tempo de se tirarem dos baús as cabeleiras, de se engraxarem os sapatos, aprumarem os vestidos de seda e puxar o lustro às insígnias, quem está por detrás de uma epopeia desta envergadura, ainda que em 4 actos tem muito com que se preocupar. Do outro lado do palco treinam se as vozes e afinam-se os instrumentos, nada pode falhar, o maestro pega na batuta e lidera sons e vozes no limite da perfeição. Á entrada a azáfama de se fecharem as portas dos camarotes, garantir que as cadeiras não estão partidas, ajeitar as gravatas e alisar os vincos das saias para no caso de algum melómano cruzar o seu olhar com um Assistente de Sala este estar na seu melhor aspecto.

Perante uma história como a subjacente ao ciclo de óperas “O Anel do Nibelungo” (Der Ring des Nibelungen) - a que já assistimos a “O Ouro do Reno” (Das Rheingold) e “A Valquíria” (Die Walküre) – é difícil pensar que homens e mulheres se atropelam para fazer numa noite um espectáculo inesquecível.

Para lá da história do anel feito de ouro roubado do Reno, que garante a quem o possui o poder sobre todo o mundo; da ternura e compaixão de Brunhilde, castigada pelo próprio pai depois de lhe desobedecer e proteger os amantes Sieglinde e Siegmund; da ausência de medo de Siegfried que o torna invencível perante o dragão e que lhe permite salvar a Valquíria de um sono mágico envolto em chamas, acabando por se entregarem ao amor, perdendo Brunhilde a sua condição de deusa, existem costureiras, cantores, músicos, encenadores, um rol enorme de profissionais que se desvelam para tornar realidade o sonho, transpor para o palco a paixão e a eterna luta pelo poder que Wagner engendrou magistralmente, e claro os incansáveis Assistentes de Sala que tornam muito mais fácil a vida de quem se desloca ao teatro para uma noite de cultura, sem que seja preciso preocupar-se se os seus casacos estão amarrotados pois há sempre um sorriso do outro lado do bengaleiro, ou ir buscar os óculos para ver melhor o número e a letra do assento na plateia, e ainda a simpatia com que se lhes abrem as portas dos camarotes e frisas.

Tudo a postos para uma grande noite de ópera!

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