segunda-feira, 14 de abril de 2008



"Vamos abrir, vamos abrir”. Breve rebuliço. Chiar de portas, passos apressados. Tudo e todos bem ordenados, sorrisinhos nervosos. Abre aqui. Puxa ali. Não, mais um bocadinho. Atenção, concentração. Respirar fundo. Esperar. Falta meia-hora. (Fogo, quando é que isto acaba??). Nem sequer começou. (Passei o dia todo a ouvir gente a falar e ainda tenho de estar aqui. Tenho de estudar, mas a vontade é pouca ou nenhuma. Ou Bem, que dia de trabalho, mais parecia um inferno. Ter de aturar pessoas mal encaradas, andar a correr de um lado para o outro. Tentar fazer tudo o que posso e o que não posso e ninguém agradece). “Boa noite, posso ajudar?”; “Não, obrigado, já sei o caminho”; (Ainda bem, assim não te perdes!). “Boa noite, posso ajudar?”; “Boa noi…”; (Sim, faz-te de surdo e boa noite para ti também!). Luz intensa. (Onde foi, quem tirou?). “Desculpe, mas não é permitido tirar fotografias no interior do teatro (sorrisinho)”, “Ah, não? Não sabia… Peço desculpa…”. (Não sabias. Agora que já tens a fotografia não queres saber das permissões). “É o programa? Quanto é?”; “Sete euros”; “Ah…, não obrigado”. “Desculpe, a que horas termina?”; (Só termina quando eu chegar a casa…) “Dois intervalos, mas porquê?”; (E eu sei lá). “Boa noite, posso ajudar?”; “Não, sabe… Eu felizmente aprendi o alfabeto na escola” (Sorriso maléfico); (O quê? Ai, sim? Ainda bem e deixo-te aí sozinho para que não estivesses armado em esperto. Ah, pois é, o k parece o h e o i parece o j? Não é? Agora desenrasca-te, mas despacha-te que estás a empatar o corredor e isto está quase a começar!). (Mas quem era agora no corredor? Quando é que eu entro? Esta cadeira foi uma bela ideia. Será que ainda tenho tempo de ir comer qualquer coisa? Bem, vai entrar o maestro. “Desculpe, mas já não pode entrar”. (…) (Bem, pelo menos hoje ninguém ficou com a porta nas mãos. Ufa, que estafa. Mais uma. Amanhã há mais). “(P)asso ao (L)ado do (A)ssistente e (T)ento (E)sgueirar-me do (I)ndesejável (A)rrumador (é que não dar-lhe gorjeta!”.

5 comentários:

João Martins Abrantes disse...

Não fosse este espaço aqui o espaço reservado aos comentários e eu diria "Sem comentáris!", parece que alguém teve a coragem de dizer aquilo que, por vezes, passa na alma de todos nós, especialmente ao Domingo à tarde.

MariSa, um grande bem haja!

vinum acre disse...

Bom dia Mademoisele "Beurre" ou se preferires, chica "Mantequilla" denoto neste teu desabafo kafkiano um certo cansaço ou desencanto com a nobre actividade... tem calma....haverá sempre um episódio engraçado para nos fazer rir....é a sina dos A.S´s passarem despercebidos neste mundo protegido pelo BACO....
p.s. jOGO DE PALAVRAS COM PLATEIA....BRILHANTE...vê-se logo que estás a residir em Monte Abraão.
Fui.....

missbutters disse...

Monsieur le vinaigre, deixe-me dizer-lhe que este meu desabafo se deve apenas ao cansaço. Não estamos perante um caso de desencanto com a nobre actividade até porque se assim fosse não estaria presente e não faria parte da bela equipa de A.S’s. E que possamos desfrutar de muitos momentos engraçados! Rir é bom e recomenda-se, lol. Obrigada pelo apoio.
Olha que a minha vida mudou imenso desde que me mudei para o Monte. Bem, aqueles ares, dão-me vontade de fugir… Dos ladrões, claro!
Um bem-haja também para ti, Joãozinho.
FnaV!

Lory Boy disse...

Lindo!
E tudo isto com base na palavra plateia. É de génio!!!
Parece-me que isto é um bom esquema e de rápida percepção para os novos elementos da A.S's que vao iniciar-se na posição da Plateia!
Agora já sabemos o que lhes temos dizer.

Sandra disse...

Ora que grande mestria em transpôr para palavras o que vai na alma de todos aqueles que passam as óperas do lado de fora.