segunda-feira, 28 de abril de 2008

Sabiam que...



...a 27 de Maio de 1834, el-rei D. Pedro IV foi apupado quando visitou o Teatro Nacional de São Carlos para assistir à representação do Il Pirata, de Belini, pelos próprio liberal e constitucionalistas, devido ao desagrado que a estes causou a amnistia proclamada pela Concessão de Évora Monte - acordo assinado entre liberais e miguelistas que pôs termo à guerra civil de 1832-34, e que visava o fim dos roubos e sequestros aos bens particulares dos absolutistas?

Reza a história que após a vitória dos liberais na guerra civil de 1832-34 (vitória essa que custou milhares de vidas), D. Pedro IV sentiu-se animado de tal forma, que, após a assinatura da concessão de Évora Monte, a 26 de Maio de 1834, onde o então Rei tomou duas medidas que até o enobreceram – perdoou os vencidos e proibiu os roubos dos "devoristas" liberais – decidiu visitar o teatro São Carlos no dia seguinte.
Mas estas nobres medidas, não foram muito bem vistas pelos liberais fanáticos, pois estes mais não queriam que destruir e apagar do país todos os miguelistas; por outras palavras: queriam vingança, a desforra do sofrido no período em que reinou D. Miguel. E este desejo de vingança que se gerou nos constitucionalistas (constitucionalistas aqui no sentido de adeptos do liberalismo político e do constitucionalismo moderno) acabou por vitimar o próprio detentor do trono real e fez levantaram-se em massa os liberais contra o seu Rei.

Foi no nosso Teatro Nacional de São Carlos que D. Pedro IV sentiu na pele de forma mais explicita o desagrado da população anti-miguelista.
Apesar de doente, dirigiu-se ao teatro para assistir ao Il Pirata, de Belini.
Pelo caminho, a carruagem real deparou-se com uma multidão no Rossio. Logo aí o povo assobiou o rei e apedrejou o coche real.
D. Pedro não quis recuar e gritou para o cocheiro tocar os cavalos, que por esse motivo romperam pelo meio da multidão. Apeando-se no teatro, entrou impavidamente.
Mas quando chegou no camarim real, e a multidão o avistou, de novo se iniciaram as calúnias. D. Pedro IV ficou pálido e ofegante. De novo o assobiaram de forma cruel e até moedas foram arremessados ao camarote real.
É no meio desta chuva de objectos e insultos que D. Pedro exclama:
— Canalhas!
Ao que a multidão reagiu entoando em uníssono:
— Fora! Fora!
D. Pedro, de pé, extremamente pálido, tremeu. E subitamente sofre um ataque de hemoptise (hemorragia das vias respiratórias). O nervoso provocou o exteriorizar da doença de que o Rei de Portugal sofria. Sucessivamente tosse sangue, e o povo ao ver aquilo pára. E D. Pedro, sentindo-se o centro das atenções nesta triste cena, decide gritar para o maestro:
— Música!
Ao que o maestro obedece, recomeçando a música, e mantendo-se D. Pedro até ao fim do espectáculo no Teatro São Carlos.

(Agora pensem a festa que foi para os AS's que trabalharam naquele dia! Devem ter tido um gorjeta enorme devido à quantidade de moedas que os liberais atiraram ao Rei D. Pedro IV. Nesse dia, até nem custou fazer horas extra a arrumar as cadeiras do camarote real - e a apanhar as moedas todas que certamente lá se encontravam!)

1 comentário:

vinum acre disse...

Obrigado por mais este encontro escolástico acerca da nossa nobre história.... Já agora deixa-me dizer-te também que D.Pedro IV de Portugal, I ( e imperador do brasil) só tomou pela 1ª vez banho quando chegou ao brasil já moçoilo.... enquanto a sua mãe , uma doidivanas espanhola que dava pelo nome de D.Carlota Joaquina era considerada uma das mulheres mais asseadas do Reino por tomar um banho de àguas translúcidas da ribeira do Jamor com fragâncias das melhores especiarias trazidas da Capitania de Malaca.
Um abraço Hermano Saraivista para este Infante dos anais da História da corte Portuguesa El Lory" O Trovador".